ESPINOSA,UMA SUBVERSÃO FILOSÓFICA?
- Antonio Jose Silva
- 26 de jan.
- 2 min de leitura

26/01/2026
UM HEREM (UMA EXCOMUNHÃO)
27 de julho de 1656, a assembleia dos anciãos que dirige a comunidade judaica de Amsterdã promulga um herem (excomunhão, em hebraico), excluindo e banindo Espinosa.
Em 1670, aos 37 anos, Espinosa publica o Tratado Teológico-Político, impresso sem o nome do autor. A obra se destina à defesa da liberdade de pensamento e de expressão.
FUGINDO DA TEMÍVEL E NEFASTA INQUISIÇÃO
Baruch de Espinosa nasceu em 24 de novembro de 1632 e foi considerado um dos grandes filósofos racionalistas (ao lado de Leibiniz e Descartes) de sua época. Primeiro filho de uma família português-judia. Seus pais eram prósperos comerciantes, mas por serem judeus, mudaram-se para Amsterdam fugindo da inquisição.
A FILOSOFIA DA IMANÊNCIA
Filosoficamente, significa o que intrínseco e real, não existindo em função de algo externo. A tradição teológica e metafísica ergueu-se sobre uma imagem de Deus, forjando a divindade como "pessoa transcendente" (isso é, separada do mundo).
Essa imagem de Deus, demonstra Espinosa em sua obra magna, a Ética, não é senão a projeção antropomórfica de uma imagem do homem, confundindo propriedades humanas imaginárias com a essência divina.
OPOSITOR AO FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO
Se os homens pudessem ter o domínio de todas as circunstâncias de suas vidas, diz Espinosa, não se sentiriam à mercê dos "caprichos da sorte," isto é, a ordem imaginária do mundo como encontros fortuitos entre as coisas, os homens e os acontecimentos. Sentindo-se à mercê da sorte, porque não possuem o domínio das circunstâncias de suas vidas e são movidos pelo desejo de bens que não parecem depender deles próprios, "os humanos são habitados naturalmente por duas paixões, o medo e a esperança".
UMA CRÍTICA À TEOLOGIA POLÍTICA
Espinosa realiza a crítica da teologia política sob três aspectos principais: 1) mostrando que é inútil para a fé, pois os Livros Sagrados não contêm verdades sobre Deus. O Antigo Testamento é o documento histórico e político de um Estado particular determinado, o Estado hebraico fundado por Moisés. 2) criticando a suposição de que há um saber especulativo e técnico possuído por especialistas em interpretação dos textos religiosos. 3) mostrando que a particularidade histórico-política narrada pelo documento sagrado não permite que a política teocrática, que o anima, seja tomada como paradigma universal da política. Por conseguinte, toda tentativa teológica de manter a teocracia como forma política ordenada por Deus é fraude e engodo.
UMA REFLEXÃO DO PANTEÍSMO DE BARUCH SPINOZA
"O imaginário da transcendência afirma que a teocracia é o regime de poder ordenado pela vontade divina. O pensamento da imanência afirma que a democracia é a forma superior da política." Marilena Chauí (filósofa)
Que também não sejamos excomungados...



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