"A LÍNGUA É MINHA PÁTRIA"
- Antonio Jose Silva
- há 12 minutos
- 2 min de leitura

14/03/2026
A NOSSA "MÁTRIA"
A música "Língua", de Caetano Veloso (1984), é uma celebração da língua portuguesa brasileira, destacando sua diversidade, sensualidade e poder de transformação. Composta no disco Velô, a letra ironiza estrangeirismos, valoriza a poesia nacional, mistura elementos eruditos e populares, e propõe que a língua — a "mátria" — é mais fundamental que a nacionalidade.
O PORTUGUÊS DE PORTUGAL E O DO BRASIL
“Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões” destaca o diálogo entre o português de Portugal e o do Brasil, valorizando tanto a herança quanto a autonomia criativa do país. Caetano utiliza jogos de palavras como “Pessoa na pessoa” e “rosa no Rosa” para homenagear figuras literárias como Fernando Pessoa e Guimarães Rosa, mostrando como a língua é espaço de invenção e pertencimento pessoal.
A "MÁTRIA" VERSUS "PÁTRIA"
Caetano proclama: "A língua é minha pátria / E eu não tenho pátria, tenho mátria / E quero frátria". Isso sugere que o idioma, e não as fronteiras geográficas, define sua identidade e conexões fraternais. Bravo, Caetano!
A IMPORTÂNCIA E O PODER DA NOSSA LÍNGUA
Caetano também provoca: ironiza o “falso inglês relax dos surfistas” e sugere “Sejamos imperialistas!”, questionando a influência estrangeira e a busca por uma identidade própria. Ele propõe que o idioma é mais importante que a nacionalidade, defendendo uma fraternidade baseada na língua. “Língua” é, assim, uma homenagem irreverente à diversidade e ao poder transformador da linguagem na cultura brasileira.
O AMOR E A AMIZADE
"E sei que a poesia está para a prosa. Assim como o amor está para a amizade. E quem há de negar que esta lhe é superior?" Segundo Aristóteles, a amizade é superior ao amor porque dela se extrai uma relação moral, ou seja, existe nela uma incondicionalidade da bondade. É por isso que Caetano afirma, nesse ponto, que a poesia está para prosa assim como o amor está para a amizade.



Comentários