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MITO DA BRANQUITUDE EUROPEIA

  • Foto do escritor: Antonio Jose Silva
    Antonio Jose Silva
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura

11/07/2026

Filosoficamente, o racismo é a negação do Outro como sujeito de direitos e de humanidade.


RACISMO: UMA CONSTRUÇÃO CULTURAL

Quando um pai ironiza um ato racista que levou sua filha à prisão, ele não está apenas defendendo sua prole; ele está reafirmando a crença de superioridade racial que ensinou a ela. O racismo, portanto, não é um instinto natural, mas uma construção cultural meticulosamente ensinada no café da manhã e perpetuada nas atitudes cotidianas. Se uma sociedade é racista, suas instituições também o serão, e a família, como instituição basilar, atua como a principal correia de transmissão desse ódio estrutural.


O ODIOSO EXTERMÍNIO DOS NEGROS

O problema com a Argentina são os antecedentes históricos. Segundo o jornalista de argentino Jorge Lanata, seu país não tem negros porque os exterminou. No livro Argentinos, ele afirma que, durante as guerras de independência, os escravos foram colocados na linha de frente das batalhas e eram os primeiros a levar bala. Assim, foram quase dizimados.


BRANQUEAMENTO

No início do século 19, filhos de negras com europeus eram registrados como brancos, independentemente dos traços ou do tom de pele. Diferente do Brasil, que, apesar de seu racismo estrutural, reconhece a miscigenação e a presença marcante da população negra, a Argentina optou pelo apagamento sistemático. No final do século XVIII, os negros representavam cerca de metade da população de algumas províncias argentinas. Hoje, são estatisticamente invisíveis. Para onde foram os negros da Argentina?


UM PROJETO DE ESTADO EUGENISTA

A resposta reside em um projeto de Estado genocida e eugenista. Durante o século 19, líderes como Domingo Faustino Sarmiento (presidente entre 1868 e 1874) promoveram políticas de branqueamento, considerando a nação uma “amalgama danosa de raças incapazes”. A população negra foi dizimada em guerras, como a do Paraguai, e diluída através de uma miscigenação forçada, enquanto o Estado incentivava massivamente a imigração europeia para “civilizar” o país. O racismo institucional argentino foi tão eficiente que conseguiu convencer o mundo, e a si mesmo, de que lá “não existem negros”. Esse apagamento histórico criou um terreno fértil para que o racismo florescesse sem amarras, permitindo que atitudes racistas sejam vistas como meras brincadeiras ou manifestações de superioridade inquestionável.

No censo de 1810, a população tinha 25% de negros. No de 1887, caiu para 1,8%.


AUSÊNCIA DE ALTERIDADE

Após advogada argentina Agostina Páez virar ré por injúria racial no Brasil, o pai dela, Mariano Páez, repetiu o mesmo ato em um bar na Argentina.

Negar a existência ou a validade do outro, isto é, daquele que é diferente de nós, reflete uma grave falha em exercer a alteridade — a capacidade de reconhecer o outro como um ser humano legítimo, ao mesmo tempo igual em direitos e distinto em sua essência. Esse comportamento traz consequências profundas para a convivência social.


MECANISMO DE DEFESA (NEGAÇÃO)

Na psicologia, a negação é usada para evitar lidar com realidades dolorosas ou que ameacem o próprio ego. Rejeitar o diferente ocorre porque o comportamento ou o estilo de vida do outro pode gerar insegurança, ameaçando, de forma inconsciente, o próprio sistema de crenças e a identidade estabelecida. Quando a existência do outro é negada, perde-se a oportunidade de criar pontes emocionais através da empatia.







 
 
 
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