RENTISMO E O PÓS-CAPITALISMO
- Antonio Jose Silva
- há 3 dias
- 2 min de leitura

16/05/2026
RENTISMO, TEU NOME É MAIS EXCLUSÃO
Em meio à desigualdade brutal, maiorias vivem o inferno do trabalho massacrante e sem futuro, da pobreza e do impossível desfrute coletivo. Mas também os ricos, ainda que opulentos, debatem-se em competição por dinheiro e vidas sem sentido. O rentismo, num contexto de um possível "pós-capitalismo" ou fase avançada do capitalismo financeiro, descreve um sistema onde a acumulação de riqueza se desloca da produção industrial de mercadorias (mais-valia) para a extração de rendas através da propriedade, finanças e ativos digitais.
RENTISMO, O NOVO MODO DE PRODUÇÃO
A partir do capital financeirizado, surgiu outra forma de capturar a riqueza coletiva. Quais seus meios de acumulação. Por que produz desigualdade e devastação brutais. Como a reapropriação social do conhecimento pode minar suas bases. As mudanças no capitalismo mundial são demasiado amplas para nos contentarmos com classificar o que hoje acontece como Indústria 4.0. A revolução digital é tão profunda, em termos estruturais, como foi a revolução industrial há dois séculos e meio atrás.
OS "CAPITÃES" DOS ALGORÍTMOS
Surge um outro modo de produção em construção, em que a financeirização supera a acumulação produtiva de capital, a exploração por meio do rentismo supera a exploração por meio de baixos salários (mais-valia), inclusive porque se desloca o próprio conceito de emprego. Os que comandam não são mais os capitães da indústria, e sim os que controlam os algoritmos, e o próprio dinheiro imaterial, no quadro da financeirização.
A MALDIÇÃO DA DESIGUALDADE
Uma questão fundamental da sociabilidade é a desigualdade. A Forbes nos traz um número básico: 3028 adultos, em 2024, possuem uma riqueza total de 16 trilhões de dólares, três vezes mais do que a metade mais pobre da humanidade.
A fratura social gerada pela desigualdade de riqueza e renda, tanto dentro quanto entre países, não é apenas injusta, é explosiva. Desigualdade econômica também significa fraturas sociais.
CAPITALISMO SEM CAPITAL
No começo do século XXI, uma revolução silenciosa ocorreu. Pela primeira vez, as principais economias desenvolvidas começaram a investir mais em ativos intangíveis, como design, branding, R&D e software, que em ativos tangíveis, como máquinas, edifícios e computadores. Para todo tipo de negócios, desde empresas de tecnologia e empresas farmacêuticas até cafés e ginásios, a capacidade de implantar recursos que não se pode ver nem tocar é cada vez mais a principal fonte de sucesso a longo prazo.
O FENÔMENO DA DESINDUSTRIALIZAÇÃO
O Google e a Amazon são capitalistas? São empresas rentistas? E o Uber? Essas questões têm consequências para a forma como pensamos o próprio capitalismo contemporâneo, fortemente dominado por empresas de tecnologia. A facilidade de obter lucros via rentismo desencoraja o investimento na produção, gerando desindustrialização, especialmente no Ocidente. A revolução digital e a inteligência artificial potencializam essa forma de concentração de riqueza.




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