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"OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO"?

  • Foto do escritor: Antonio Jose Silva
    Antonio Jose Silva
  • há 4 horas
  • 2 min de leitura

07/04/2026


PREAMBULANDO

Os Ombros Suportam o Mundo é um poema de Carlos Drummond de Andrade publicado em 1940 no livro Sentimento do Mundo. O texto em questão é uma abordagem direta da vida, fruto dos tempos que se impõem como extremamente reais e urgentes, tempos de guerras e injustiças. O poema fala da posição resignada diante desse mundo.


O PRIMEIRO VERSO

Localiza o poema temporalmente. "Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração. Tempo em que não se diz mais: meu amor." Logo depois, nos é explicado que tempo é esse: Tempo sem Deus porque existe uma enorme desesperança. Tempo sem amor porque o amor não foi suficiente, porque a guerra mais uma vez assola a humanidade.


ENQUANTO NO SEGUNDO VERSO

A imagem prevalecente é a da solidão: "ficastes sozinho". Entretanto, não há desespero, e sim um desinteresse, inclusive pelos amigos e vida social.

"Em vão mulheres batem à porta, não abrirás. Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes. És todo certeza, já não sabes sofrer."


A ÚLTIMA ESTROFE

É nela que se encontra o verso que dá o nome ao poema e o tema central: a posição do ser neste mundo e neste tempo.

A matéria do poeta é a realidade, o tempo presente e também a relação entre o "eu" e o mundo.


A VELHICE, AH, A VELHICE!

"Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a mão de uma criança."

A velhice não incomoda, pois o que vemos é um sujeito sem perspectiva de futuro, pois os conflitos e guerras o dessensibilizaram e trouxeram uma noção de que só há o momento presente e nada mais.


UM MUNDO MAIS DESUMANO

Drummond compara as guerras às discussões em edifícios, como se ambos fossem igualmente "corriqueiros" e "banais" em um mundo cada vez mais sem humanidade. Não existe espaço para a sensibilidade, pois esse sentimento levaria ao desespero e ao desejo pelo fim da existência, prefeririam (os delicados) morrer.


UM POEMA ATEMPORAL

Drummond revela uma realidade em que as pessoas vivem o momento presente por falta de perspectiva e esperança de dias melhores.

O texto poético se torna ainda mais emblemático diante do fato de que, mesmo sendo feito para um momento específico, ele ainda possui abrangência o suficiente para ser e continuar sendo, "atemporal".










 
 
 

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