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O SISTEMA QUE IMPEDE VENEZA DE AFUNDAR

  • Foto do escritor: Antonio Jose Silva
    Antonio Jose Silva
  • 8 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

08/04/2025


UMA FLORESTA DE CABEÇA PARA BAIXO

Todos os moradores locais sabem que Veneza, na Itália, é uma floresta de cabeça para baixo. A cidade completou 1.604 anos no dia 25 de março. Ela foi construída sobre as fundações de milhões de estacas curtas de madeira, socadas contra o solo com a ponta para baixo. As árvores são lariços, carvalhos, amieiros, pinheiros, abetos e elmos, com altura que varia de 3,5 metros até menos de 1 metro. Elas sustentam os palácios de pedra e altos campanários há séculos, formando uma verdadeira maravilha da engenharia, que equilibra as forças da física e da natureza.


UMA LONGEVA ESTRUTURA

Na maioria das estruturas modernas, concreto reforçado e aço fazem o mesmo trabalho que esta floresta invertida mantém há séculos. Mas, apesar da sua força, poucas fundações atuais poderão durar tanto quanto as de Veneza.

"Estacas de concreto ou aço são projetadas hoje em dia [com garantia para durar] 50 anos", afirma o professor de geomecânica e engenharia de geossistemas Alexander Puzrin, do Instituto Federal de Tecnologia (ETH) de Zurique, na Suíça.


UMA TÉCNICA REVOLUCIONÁRIA

A técnica veneziana usando estacas é fascinante pela sua geometria, sua secular resistência e sua imensa escala.

Ninguém tem absoluta certeza de quantos milhões de estacas existem sob a cidade. O que se sabe é que há 14 mil postes de madeira firmemente instalados, apenas nas fundações da ponte Rialto, mais 10 mil carvalhos sob a Basílica de São Marcos, construída no ano 832.


"BATTIPALI" - OS BATEDORES DE ESTACAS

As pessoas que fixavam as estacas eram conhecidas como 'battipali', os 'batedores de estacas'. Eles cantavam uma canção para manter o ritmo enquanto trabalhavam

As estacas eram imobilizadas o mais fundo possível, até que não pudessem mais ser comprimidas, começando na extremidade externa da estrutura e se movendo em direção ao centro das fundações.

Normalmente, eram nove estacas por metro quadrado em formato espiral. As pontas eram serradas para obter uma superfície regular, que ficaria abaixo do nível do mar. Por cima, foram colocadas estruturas de madeira transversais – zatteroni (placas) ou madieri (feixes).


SILVICULTURA - O CULTIVO DE ÁRVORES

Carvalho era a madeira mais resistente, mas também a mais preciosa. O carvalho, posteriormente, só seria usado para construir navios, pois era valioso demais para ser enterrado na lama.

E, sobre a estrutura de madeira, os trabalhadores colocariam as pedras da construção.

A República de Veneza logo começou a proteger suas florestas, para fornecer madeira suficiente para construir a cidade e os navios.

"Veneza inventou a silvicultura", explica Nicola Macchioni, diretor de pesquisa do Instituto de Bioeconomia do Conselho Nacional de Pesquisa da Itália. Silvicultura é a prática de cultivar árvores.


PRESSÃO HIDROSTÁTICA

Nas margens do lago Michigan, nos Estados Unidos. Ali, o leito rochoso pode ficar a até 30 metros abaixo da superfície. "Encontrar árvores desta altura é difícil, não? Existem histórias de Chicago nos anos 1880 em que eles tentaram colocar um tronco de árvore em cima do outro, o que, como você pode imaginar, acabou não funcionando. Por fim, eles perceberam que você pode confiar na fricção do solo." Explica o professor de arquitetura Thomas Leslie, da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. O princípio é baseado na ideia de reforço do solo, espetando o máximo de estacas possível. Este processo cria fricção substancial entre as estacas e o solo.

O nome técnico é pressão hidrostática. Ela significa essencialmente que o solo "aperta" as estacas, se muitas delas forem inseridas densamente em um ponto, segundo ele.


MADEIRA E A RESISTÊNCIA A TERREMOTOS

Nos séculos 19 e 20, a madeira foi totalmente substituída por cimento na construção de fundações. Mas, nos últimos anos, uma nova tendência de construção com madeira vem despertando mais interesse, incluindo o aumento dos arranha-céus de madeira.

"É meio que o material da moda, agora, por razões muito boas", comenta Leslie. Afinal, a madeira é um sifão de carbono, biodegradável e, graças à sua flexibilidade, é considerada um dos materiais mais resistentes a terremotos.

 
 
 

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