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DO MITO AO RITO

  • Foto do escritor: Antonio Jose Silva
    Antonio Jose Silva
  • 14 de dez. de 2024
  • 3 min de leitura

14/12/2024

Uma reflexão acerca dos diversos olhares e discursos sobre o mito e o rito, dos mais reducionistas aos mais abertos e destemidos.


DO CONCEITO AOS PRINCÍPIOS BÁSICOS

O rito expressa um mito, encarnando-o. O mito é o coração do rito, sua estrutura significativa. Rito e mito são duas faces de uma mesma realidade, essencialmente humana.

Como afirma Stanley Krippner, criador do conceito de mitologia pessoal, juntamente com Feinstein, em seu significado mais tradicional, um mito é uma história ou crença organizadora que inclui alguns princípios básicos, orientadores. Para este autor, as mitologias culturais desempenhavam quatro funções: ajudar os membros de uma comunidade a compreender e explicar a natureza de um modo compreensível; oferecer um modo de condução nas diversas etapas da existência; estabelecer papéis sociais facilitadores nas relações pessoais congeniais e satisfatórios padrões de trabalho. Finalmente, permitir a participação do ser humano na maravilha e na perplexidade do cosmos.


OS RITOS DE PASSAGEM

As mudanças mais significativas pelas quais passamos na vida são o nascimento, a entrada na vida adulta, o casamento e a morte. Esses acontecimentos fundamentais demandam, da mesma forma, ser culturalmente representados nos chamados ritos de passagem, estudados especialmente pelos autores franceses.


RITOS E CRENÇAS

A palavra "rito" tem origem no latim e é um termo que se refere aos costumes invariáveis, já estabelecidos por meio de regras ou normas de uma cerimônia de determinada cultura ou religião. 

Um rito é baseado nas crenças das pessoas que o realizam e é uma forma de simbolizar e transmitir as ideias e os conceitos de algum tipo de mito.

A base primária dos ritos não muda muito nas tradições da humanidade. Por exemplo: existe uma crença muito difundida no mundo de preparar uma cerimônia para os vivos se despedirem dos mortos, conhecida como rito funerário.


RITOS DO COTIDIANO

Em Os Ritos Profanos, Claude Rivière analisa os ritos de passagem embutidos no cotidiano, dos quais muitas vezes não nos damos conta. Como os ritos escolares, subdivididos em ritos de chegada (cumprimento da professora e despedida dos pais), ritos de ordem (horários sinalizados por avisos sonoros, filas e a organização por turmas), ritos de atividades das tarefas escolares. A própria alfabetização pode ser considerada, também, como um rito de passagem, por atribuir uma nova identidade à criança e, com ela, novos papéis a serem desempenhados no coletivo.


ADOLESCÊNCIA O RITO CRÍTICO DE TRANSIÇÃO

Enquanto passa pelo processo de se distanciar dos laços familiares, o adolescente sofre um conflito interior. É como se ele sentisse que seu antagonista é toda a sociedade. Alguns apresentam transtornos de conduta, sempre buscando realizar alguma proeza e, geralmente, sem noção de perigo. Rivière aponta para uma desritualização do presente, devido à perda de práticas religiosas e ao declínio das crenças em curso, diante do que especialmente os jovens constroem seus próprios ritos de iniciação, em geral por meio de um comportamento antissocial.


RITUAL DE INICIAÇÃO AO CRISTIANISMO

Segundo Jean-Yves Leloup, doutor em psicologia e sacerdote, há duas distintas linhagens no cristianismo. A primeira é uma linhagem histórica, que tem sua origem nos apóstolos de Cristo, fundadores de igrejas e de comunidades, como a de Jerusalém, de Éfeso e de Roma. Ao lado desta linhagem institucional apostólica, há uma outra mais discreta, menos dogmática e mais atenta à possibilidade e à prática de uma forma de oração e de meditação, que busca conectar seu praticante com a Origem, através de uma intimidade com a Fonte, a qual Cristo denominava de Pai.

O ritual de iniciação ao cristianismo, desta linhagem, encontra-se de acordo com a prática original, sendo realizado em três distintas e complementares etapas: a do batismo, a da unção com o óleo (que o catolicismo denomina de confirmação) e a da comunhão.


E POR FIM

Convido vocês ao RITUAL da REFLEXÃO EM MOVIMENTO.




 
 
 

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