CANDOMBLÉ: TRADIÇÃO E RESILIÊNCIA RUMO A SUSTENTABILIDADE
- Antonio Jose Silva
- 20 de jun. de 2024
- 3 min de leitura
20/06/2024
Lembram da postagem da REM de ontem? Hoje, destacamos em especial, as religiões de matrizes africanas nas suas relações com o meio ambiente.
ÌMÓLÈ – forças da natureza
OS EIXOS ESTRUTURANTES
Numa análise aparente, no que tange as religiões de origem africana, no Brasil pode-se identificar dois segmentos importantes: o Candomblé e a Umbanda. A Umbanda surgiu por volta do século XIX tendo como base ser uma religião brasileira. Nela mescla-se vários fragmentos de religiões até então conhecidas, onde se detecta fragmentos do catolicismo, do espiritismo kardecista e dos cultos dos povos africanos e indígenas (ROSENFELD). Já no Candomblé parte da concepção de PRANDI, de que é uma religião trazida com os escravos africanos e amalgamada com o catolicismo por uma necessidade de sobrevivência de seus ritos ancestrais.
RELAÇÃO INTRÍNSECA
Pode-se verificar que a prática do Candomblé e a sustentabilidade, se correlacionam, partindo do princípio de que, pelo fato dos rituais terem como base os elementos da natureza (terra, fogo, ar e água), concentrado em suas divindades os Orixás, podem corroborar para a preservação do meio ambiente. O meio natural é condição única para que os cultos aos seus deuses possam existir. Os rituais dessa religião são praticados em terreiros (espaço organizado em estruturas que obedecem à ótica dos Orixás) e nesses cultos matas, rios, cachoeiras, árvores, pedras são utilizados, em referência aos Orixás, como forma de materializar a divindade.
REPRESENTANDO AS FORÇAS DA NATUREZA
No culto do Candomblé os Orixás são deuses ou divindades africanas que representam as forças da Natureza. O homem desde cedo observou que há energias presentes em tudo que o rodeia e que elas na maioria das vezes têm o total controle sobre os acontecimentos e os ciclos da vida, essas energias são os Orixás. Em cada pedaço de terra no continente africano, havia formas distintas de se cultuarem esses deuses.
O CANDOMBLÉ COMO PROMOTOR DA SUSTENTABILIDADE
A utilização e a identificação com os elementos da natureza são fundamentais para a ritualística do Candomblé. Sem natureza não há Orixás. Prandi (2001, p. 20) destaca que o Candomblé conserva a ideia de que as plantas são fontes de axé, a força vital sem a qual não existe vida ou movimento e sem a qual o culto não pode ser realizado. Nas palavras do dialeto Yorubá “Kosi ewê Kosi Orixá”, remete a noção de que não se pode cultuar Orixás sem usar as folhas resumindo bem a importância da natureza para o Candomblé. Em todo ritual exige-se a utilização de recursos provenientes da natureza, desde a preparação da terra para a construção de um terreiro/roça de Candomblé, pois o solo é sagrado, ele é quem dá a licença inicial para os ritos sacramentais do Candomblé; até as festividades periódicas que acontecem nos terreiros.
E POR FIM
Conclui-se anda que, na dimensão ambiental pode se destacar os propósitos que visam proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade. Nessa meta o Candomblé pode ajudar na proteção do meio ambiente através da passagem de valores que ocorre no cotidiano dos terreiros onde são desenvolvidos o amor e o carinho que deve haver pelos orixás e através desses sentimentos incutidos nos seguidores é desenvolvida a ideia de que se deve proteger o meio ambiente. Ou seja, pelo importante papel que o meio ambiente representa para a espiritualidade afro-brasileira, a religião deve torna-se responsável por estruturar essa conscientização.
AXÉ!!!




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