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BURNOUT CÍVICO

Foto do escritor: Antonio Jose Silva
Antonio Jose Silva
há 11 minutos
2 min de leitura

01/10/2026


BURNOUT CÍVICO O burnout cívico é definido como um afastamento estratégico do debate público motivado pela sobrecarga emocional diante de um ambiente político percebido como desgastante no nível interpessoal e, sobretudo, como tóxico no nível pessoal. Diferente da apatia política, ele expressa cansaço, exaustão e evitamento por medo de conflitos, e não indiferença à política, funcionando como uma forma de autopreservação diante da intensificação dos conflitos políticos nos espaços de sociabilidade cotidiana – entre amigos, famílias, ambientes profissionais e religiosos.


DIFERENCIANDO O BURNOUT CÍVICO DA FADIGA DEMOCRÁTICA É importante distinguir o burnout cívico de conceitos adjacentes, como a fadiga democrática e a apatia política com os quais guarda afinidades, mas também diferenças fundamentais. A fadiga democrática refere-se ao desencanto com as instituições democráticas e com os princípios que regem a participação cívica, geralmente associada à frustração com a incapacidade da democracia de oferecer respostas efetivas às demandas sociais.


APATIA POLÍTICA

Já a apatia política é caracterizada por uma indiferença mais profunda em relação à política, marcada por desinteresse, desinformação e ausência de engajamento – muitas vezes ancorada em processos de socialização despolitizante ou em condições estruturais de exclusão.


ESGOTAMENTO NO DIA A DIA E PERDA DE CONFIANÇA

Enquanto a fadiga democrática indica um esvaziamento da confiança nas instituições, o burnout cívico revela um esgotamento cotidiano que atinge o nível das práticas sociais e afetivas.


HIPERVIGILÂNCIA QUE ESTRESSA

Vivemos sob uma lógica de polarização digital e intransigência que atua como um gatilho constante de estresse. O cérebro humano não foi programado para a hipervigilância, mas fomos condicionados a um estado permanente de defesa, onde o outro não é apenas alguém que pensa diferente, mas um inimigo a ser combatido.

Essa dinâmica destrutiva é alimentada por algoritmos que lucram com a nossa indignação e pela disseminação em massa de desinformação.


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E POR FIM

"O burnout cívico deve ser compreendido não apenas como efeito da polarização, mas como um mecanismo de adaptação e sobrevivência diante da percepção de radicalização crescente."

Lilian Sendretti Universidade de São Paulo (USP)







 
 
 

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