A TEORIA DA FERRADURA - JEAN PIERRE FAYE
- Antonio Jose Silva
- 5 de jun. de 2024
- 2 min de leitura
05/06/2024
O CONCEITO
A Teoria da Ferradura, registrada em livro pelo filósofo francês Jean-Pierre Faye, em 2002, é interessante porque quebra com a ideia de que o caminho que leva da esquerda à direita é uma linha reta. A extrema direita e a extrema esquerda, portanto, não seriam polos opostos de uma régua linear. A referida teoria verga essa régua até ela assumir a forma de uma ferradura. Ou seja, as duas extremidades ficam bastante próximas.
POLARIZAÇÃO ENTRE EXTREMOS?
A política brasileira é um campo complexo e diversificado, em que as ideologias e as dinâmicas políticas podem muitas vezes parecer confusas e contraditórias. E são mesmo. Uma lente teórica que tem sido usada para tentar entender essa complexidade é a “Teoria da Ferradura”, que sugere que os extremos do espectro político, de extrema esquerda e de extrema direita, podem, em alguns aspectos, se assemelhar mais do que se imagina.
ULTRADIREITA, CENTRO-DIREITA, ULTRAESQUERDA E CENTRO-ESQUERDA
A ultradireita, no resto do mundo, era fascista, nazista. A ala dos supremacistas brancos, da Ku Klux Kan, dos skinheads. E havia, entre essa turma, tanto quanto no seu oposto à esquerda, uma visão religiosa do mundo. Para a ultradireita, o progresso passaria por coisas como racismo, eugenia e totalitarismo. (Enquanto, para a ultraesquerda, por coisas como a ditadura do proletariado, a revolução total e o fim da história.) A ultradireita é o que fica à direita, depois que o espectro democrático acaba.
CAROLA, OLIGARCA E POSITIVISTA
No Brasil, a ultradireita sempre foi representada pelo pensamento feudal mais profundo, o ultraconservadorismo mais arraigado, baseado na cassação dos direitos individuais e na supressão das diferenças, com o apoio de um Estado policial e do uso da violência, em nome do controle dos indivíduos pelas instituições, e dos mais vulneráveis pelos mais poderosos.
REVOLUCIONÁRIO VS REACIONÁRIO
Há outros conceitos usados em profusão sobre os quais vale a pena abordar. "Revolucionário", por exemplo. Como quem esteve na situação, na maior parte do tempo e na maioria dos lugares, foram as elites econômicas, cujo poder advinha de um modelo de acumulação de riquezas. E "reacionário" era o indivíduo que "reagia" às forças da revolução, o sujeito conservador que queria manter os privilégios da classe dominante. O reacionário operava pela manutenção do status quo – que era, em grande medida, o capitalismo.
PROGRESSISTA VS CONSERVADOR
O chamado "progressista", no Brasil, sempre foi um conceito associado à esquerda – uma vez que previa mudanças e reformas num cenário historicamente dominado pelas oligarquias. Na mão contrária, "conservadores" eram todos aqueles que não queriam mudar nada – uma ideia associada à direita.
REFLEXÃO QUE FICA
Se você está caminhando em direção ao controle externo, ao totalitarismo das instituições sobre as pessoas. Então isso tem a ver com Ditadura – seja ela de esquerda ou de direita – e jamais com Democracia. Lembra quando alguém no passado recente disse: "Deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso."
E será que isso soa verdadeiro? “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.




Comentários