- Antonio Jose Silva
- há 16 horas
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18/05/2026
PREAMBULANDO COM O DESCONSTRUTOR
Jacques Derrida (1930–2004) foi o fundador da “desconstrução”, uma maneira de criticar não apenas textos literários e filosóficos, mas também instituições políticas. Sua popularidade indica a ampla influência de seu pensamento, na filosofia, na crítica e teoria literária, na arte e, em particular, na teoria arquitetônica e na teoria política.
A IMPLACÁVEL DESCONSTRUÇÃO
Além da crítica, a desconstrução derridiana consiste em uma tentativa de reconceber a diferença que divide a autoconsciência (a diferença do “de” na consciência de si mesmo). Mas, mais do que a reconceituação da diferença, e talvez mais importante, a desconstrução tenta fazer justiça. De fato, a desconstrução é implacável nessa busca, já que a justiça é impossível de ser alcançada.
"O FORA TEXTO"
Ao afirmar que “não existe o fora texto”, Derrida assume que a linguagem é o habitat natural de toda sua atividade filosófica e literária. E não é para menos: a operação de desconstrução que o tornou célebre seria impensável sem os textos, os verdadeiros objetos da desconstrução. A quase totalidade de seu trabalho se dá sobre textos escritos por outros, sobre os quais ele se debruça para efetuar a característica desmontagem da estrutura e o conseqüente descentramento de sentidos já consolidados.
UMA OPOSIÇÃO DOS SEUS PARES
Sua frustração chegou ao ápice quando lhe foi oferecido um doutorado honorário na Universidade de Cambridge em 1992. Um grupo de filósofos analíticos escreveu uma carta aberta ao Times de Londres, na qual se opunham a Derrida receber este doutorado honorário. Apesar da carta, a Universidade de Cambridge concedeu a Derrida o diploma.
ESCRITA NÃO CLÁSSICA
A escritura de Derrida dificilmente se inscreve no gênero de uma linguagem clássica da filosofia. Em sua característica busca por clareza, o texto filosófico, quando usa uma metáfora, sempre a explora como ferramenta de esclarecimento do conceito. Mas em Derrida, as metáforas são mantidas precisamente para dar lugar à fala oblíqua, que explora conotações laterais ou sugere conteúdos sem explicitá-los.
A TEORIA DA DESCONSTRUÇÃO
O filósofo desafia as estruturas fixas do pensamento ocidental. Derrida argumenta que a filosofia e a linguagem ocidental estão fundamentadas em uma série de oposições binárias, como presença/ausência, ser/nada, e discurso/escrita.
Ele sugere que essas oposições são hierárquicas e que um termo é sempre privilegiado sobre o outro.
E POR FIM
A desconstrução busca, portanto, expor as instabilidades e as contradições internas dessas dicotomias, revelando que nenhum termo pode existir independentemente do outro e que essa relação é inerentemente instável.