- Antonio Jose Silva
- há 48 minutos
- 2 min de leitura

12/08/2026
"Se a vida é uma inquietação ingovernável, a tendência humana é alcançar à sua quietude. A pulsão de morte opera semeando destrutividade, mas não para afirmar a vida, mas para realizar a sua mais radical negação".
"PULSÃO DE MORTE"
A reflexão acima, sintetiza com precisão o conceito freudiano de pulsão de morte (Todestrieb). Segundo essa perspectiva psicanalítica, o organismo busca retornar ao seu estado inanimado original — um zero absoluto de tensão e quietude — para escapar do sofrimento e da agitação inerentes à vida.
UM TEXTO INQUIETANTE
O texto da REM, é baseado no artigo de Massimo Recalcati, psicanalista italiano e professor das universidades de Pávia e de Veron.
Para a psicanálise, essa força destrutiva não visa uma transformação construtiva, mas a anulação radical de qualquer conflito ou perturbação. É o fascínio pelo retorno à inércia, frequentemente expresso em comportamentos de repetição e autossabotagem.
"EXERCÍCIO DO MÁXIMO PODER"
Segundo o psicanalista, "não é por acaso que, no aparente poder afirmativo da bomba atômica que faz do homem o senhor do mundo, se esconde a ação secreta da pulsão de morte. No caso de seu uso, de fato, o exercício do máximo poder se reverteria de forma inexorável em sua autoanulação".
O AMOR AO PRÓXIMO SERIA UMA GRANDE FÁBULA?
Numa época em que a presença atroz da guerra voltou a ocupar, inacreditável e tragicamente, a cena da Europa, e do mundo, ressoam as palavras que Freud dedicara à Grande Guerra do século passado. Aos seus olhos, encarnava a tendência agressiva, gananciosa, autoafirmativa do humano que vive o outro como um obstáculo à sua realização. O embate entre estados encontrava sua razão inconsciente nessa indomável pulsão agressiva. O amor ao próximo é, de fato, apenas uma fábula que a religião contou para ocultar o fato brutal de que os homens não passam de um "bando de assassinos".
UMA ASPIRAÇÃO DE AUTOSSABOTAGEM
Entretanto, nessa perspectiva, a guerra, assim como a destruição e a violência, continua sendo interpretada pelo pai da psicanálise como um comportamento de defesa e autopreservação das próprias fronteiras ameaçadas pela presença do estrangeiro. No entanto, Freud já vislumbra algo mais desconcertante na agressividade humana: não apenas a violência que a guerra desencadeia é uma resposta à existência da alteridade como uma possível ameaça de violação de nossas fronteiras, mas sua raiz narcísica mostra sua própria aspiração suicida.
POR QUE A VIDA ESTARIA CONTRA SI MESMA?
Esse é o escândalo da pulsão de morte e do além do princípio do prazer: a vida rejeita a vida como fonte inesgotável de perturbações. A mais profunda das pulsões – a pulsão de morte - aponta, portanto, para a quietude, para o zero, para a anulação de toda forma de tensão. A morte não é mais a decapitação da vida, mas sua meta almejada.