
17/09/2026
O PERDÃO DESVIRTUADO
A palavra “indulgência” originou-se do latim, indulgentia, que significa ato de ceder, de ser tolerante, de conceder o perdão. A indulgência é uma qualidade humana bastante louvável, pois representa a bondade e a capacidade de ser tolerante perante às ações ou particularidades das outras pessoas.
NA DOUTRINA CATÓLICA
Indulgência é a anulação da pena temporal (ou parte dela) que decorre do pecado cometido pelo fiel, mas já perdoado diante de Deus no que diz respeito à culpa. A indulgência é concedida pela Igreja, como guardiã da redenção, ao crente sinceramente arrependido e sob certas condições.
NA IDADE MÉDIA
No cristianismo medieval, à medida que crescia a autoridade da Igreja, foram sendo desenvolvidas práticas indulgentes específicas e formou-se a ideia de concessão de indulgência como remissão de penas temporais. No século XI, depois que alguém confessava um pecado, um confessor impunha uma penitência, como jejum ou peregrinação, dependendo da gravidade da ação pecaminosa. Só depois de o pecador ter cumprido a sua penitência, o confessor dava a absolvição.
DESVIO E PERVERSÃO DAS INDULGÊNCIAS - OBLATIO
Nos séculos XIV a XVI, o uso das indulgências generalizou-se e foi introduzida a possibilidade de obtê-las com uma oferta monetária, chamada oblatio, para manter obras da Igreja, como escolas, hospitais e hospícios. Tornou-se comum o penitente fazer uma oferta espontânea em dinheiro quando obtinha uma indulgência ou a própria indulgência consistir numa doação monetária para a Igreja para a construção de um mosteiro, pagamento de uma obra de arte para uma capela etc.
NA VISÃO ESPÍRITA
Indulgência é um sentimento doce e fraternal que nos leva a compreender e perdoar as fraquezas e os erros dos outros, sem julgamentos ou críticas severas. A indulgência paga (ou a venda de perdão) não tem nenhum valor espiritual, pois Deus não se submete a transações financeiras ou materiais. Segundo a Doutrina Espírita, a verdadeira indulgência é uma virtude moral ligada à caridade, e o perdão das faltas depende exclusivamente do progresso íntimo do próprio indivíduo.
A INDULGÊNCIA HOJE
Atualmente, a concessão de indulgências está confiada ao papa e à Penitenciária Apostólica. Suas normas foram estabelecidas pelo papa Paulo VI, em 1967, na Indulgentiarum doctrina (“A doutrina das indulgências”) que reorganizou o sistema de indulgências com o objetivo de dar “mais dignidade e respeito” à prática de obtenção de indulgências...