
POR QUE SERÁ?
O elevado número de suicídios em países com altíssimo grau de desenvolvimento revela uma das grandes contradições da sociedade contemporânea: é possível alcançar um extraordinário progresso material, tecnológico e econômico sem necessariamente conquistar o bem-estar emocional e o sentido da existência. Afinal, se esses países oferecem melhores condições de vida, maior renda, infraestrutura, educação e acesso à tecnologia, por que tantas pessoas chegam ao ponto de desistir da própria vida?
O PARADOXO DO DESENVOLVIMENTO
A resposta é complexa, porque o suicídio não decorre de uma única causa. Ele resulta, frequentemente, da combinação de fatores psicológicos, sociais, culturais, econômicos e existenciais. O desenvolvimento econômico melhora muitos indicadores de qualidade de vida, mas não garante:
Sentimento de pertencimento. Relações humanas profundas. Segurança emocional. Propósito e sentido para viver. Esperança em relação ao futuro.
A SOLIDÃO NAS SOCIEDADES MODERNAS
Uma sociedade pode ser extremamente rica e, ao mesmo tempo, produzir indivíduos solitários, pressionados e emocionalmente desamparados.
Em algumas sociedades altamente urbanizadas e individualistas, os vínculos comunitários e familiares podem ser mais frágeis.
A pessoa pode estar cercada de milhares de indivíduos, conectada digitalmente com o mundo inteiro e, paradoxalmente, não ter alguém com quem compartilhar suas angústias. Estar conectado não significa estar acompanhado.
O VAZIO EXISTENCIAL
O progresso material não responde, por si só, às grandes perguntas humanas:
Para que estamos vivendo? O que realmente nos faz felizes?
Qual é o nosso lugar no mundo? Que sentido existe naquilo que fazemos diariamente?
Uma sociedade pode oferecer conforto material e, ainda assim, deixar seus cidadãos desorientados quanto ao significado da própria existência.
A GRANDE QUESTÃO FILOSÓFICA
Construímos sociedades capazes de produzir riquezas extraordinárias, mas ainda não aprendemos suficientemente a construir sociedades capazes de produzir felicidade, pertencimento e solidariedade.
O desenvolvimento humano não deveria ser medido apenas pela renda per capita, pela produtividade, pelos avanços científicos ou pela sofisticação tecnológica.
AFINAL
De que adianta uma civilização conquistar o mundo exterior se não consegue oferecer às pessoas condições emocionais e sociais para viver plenamente? Talvez seja um dos grandes ou o principal desafio da sociedade contemporânea: humanizar o desenvolvimento. O verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade começa quando o ser humano deixa de ser apenas um instrumento da economia e passa a ser a finalidade de todo o progresso.