
11/10/2026
"A URNA NÃO AUTORIZA O ARBÍTRIO"
O artigo com o título acima, publicado na coluna do jornalista Noblat, é do jurista Celso de Mello, que foi ministro do Supremo Tribunal Federal de 1989 a 2020, tendo sido presidente do tribunal de 1997 a 1999 e decano (membro mais antigo) a partir de 2007.
EIS O COMEÇO
“(...) Há momentos em que o horizonte político se torna sombrio, e os resultados eleitorais, embora devam ser respeitados como expressão da vontade popular, parecem anunciar tempos procelosos para a democracia e para as liberdades. Assusta pensar que as próprias urnas possam conferir força a projetos que venham a comprometer as garantias que tornam possível o exercício livre do voto...
NÃO À APROPRIAÇÃO INDÉBITA
"Nenhuma maioria é senhora da Constituição, nenhuma liderança pode apropriar-se do Estado, e nenhum governante tem o direito de converter os direitos fundamentais em concessões pessoais.
CUIDADO COM A FALSA NORMALIDADE INSTITUCIONAL
"A democracia impõe limites ao poder, respeito às minorias e instituições capazes de resistir às tentações autoritárias. Sob perspectiva eminentemente democrática, sinto essa profunda inquietação. Ela nos impõe, contudo, o dever de permanecer vigilantes, pois a erosão das liberdades pode começar sob a aparência da normalidade institucional.
DEFESA DAS CONQUISTAS CIVILIZATÓRIAS
"Há conquistas civilizatórias cuja defesa não admite cansaço nem silêncio: a dignidade humana, a liberdade e o direito de viver sem medo do poder.
EM TEMPOS DE INQUIETAÇÃO
"Defender a Constituição é preservar o espaço em que todos, inclusive os que divergem de nós, possam viver e manifestar-se em liberdade.
E FINALIZA CELSO DE MELLO
Quando a inquietação ameaça obscurecer a razão pública, a imprensa livre tem o dever de manter acesa a luz dos fatos”.