- Antonio Jose Silva
- há 12 horas
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24/08/2026
TRANSFORMOU A DOR EM ARTE
Nascido no bairro de Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro em 1935, berço da Portela, Antônio Candeia Filho, cresceu em meio às rodas de choro e samba organizadas por seu pai. Desde pequeno, conviveu com grandes nomes do gênero. Ele chegou a trabalhar como policial civil e compôs diversos sucessos. Sua vida mudou após uma briga de trânsito em 1965, onde levou tiros que o deixaram em uma cadeira de rodas para o resto da vida. Foi exatamente a partir desse momento de superação que ele compôs alguns de seus discos mais importantes.
O ATIVISMO E O QUILOMBO Candeia acreditava que o samba precisava manter suas raízes afro-brasileiras e resistir à comercialização. Por isso, em 1975, ele criou o GRANES Quilombo (Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombo), uma verdadeira escola de arte negra focada na cultura e na identidade, indo além da ideia de competição dos desfiles de carnaval. Suas canções falam de amor, paz, fé e da realidade do povo preto.
TEMA DE DOUTORADO
Estudo evidencia o sambista “Candeia” enquanto político e defensor da cultura e dos valores afro-brasileiros. Análise da trajetória do artista que destaca sua postura militante em defesa da preservação do samba é tema de doutorado defendido na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP
UMA POSTURA CRÍTICA E POLÍTICA
Para muitos, o sambista Candeia, é conhecido e identificado como um cantor e compositor de belos sambas. Mas a obra do artista ligado à escola de samba Portela, do Rio de Janeiro, sempre deixou evidente a sua postura política e crítica em relação aos rumos do samba e do carnaval, de um modo geral.
"QUEM QUISER PODE IR; EU VOU FICAR AQUI"
A partir de um olhar atento sobre a arte de Candeia, que não se resumiu apenas às suas composições, o músico, educador e pesquisador Igor de Bruyn Ferraz desenvolveu seu estudo de doutorado intitulado “Quem quiser pode ir; eu vou ficar aqui”: política, antirracismo e identidade sonora no samba de partido-alto do Candeia.
"O MAR SERENOU"
Sucesso na voz de Clara Nunes composto por Candeia, celebra o samba com a descrição poética de uma mulher sambando na praia.
"O mar serenou quando ela pisou na areia
Quem samba na beira do mar é sereia"